Mostrando postagens com marcador bilinguismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bilinguismo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Ajudando Crianças Bilingues a Aprender


Como pais e professores podem aplicar técnicas para ajudar crianças bilingues a aprender


Quase duas décadas depois de identificadas as múltiplas inteligências de Howard Gardner em seu livro Frames of Mind (1983), educadores de todo o mundo estão usando a teoria de múltiplas inteligências em suas salas de aula. De certa forma, os pais e os professores intuitivamente sabem que as crianças aprendem de formas diferentes e que uma atividade que agrada uma criança pode não ser de interesse para a outra. Mas muitas das nossas idéias sobre o ensino tradicional implicam que existe determinada maneira de aprender competências específicas. Sentimos frustração em certos momentos em que nossos filhos ou alunos têm incapacidade para cumprir uma tarefa. Quando tivermos uma melhor compreensão das suas próprias inteligências e estilos de aprendizagem, poderemos fornecer experiências para lidar sobre a forma como as nossas crianças aprendem melhor.


As sete inteligências são: Lingüística, Lógica-Matemática, Sinestésica- Corporal, Musical, Espacial, Interpessoal e Intrapessoal


Para entender o estilo de aprendizagem da criança, deve-se observar como ela desempenha suas funções, ou quais brinquedos tende a escolher. Você perceberá que há algo em comum. Talvez os brinquedos tenham todas as cores brilhantes e padrões distintos, ou interessantes texturas e formas, ou fazem sons. Então olhe para a forma como ela interage com eles. Será que ela tende a olhar atentamente objetos ou a deter e senti-los em suas mãos? Talvez ela esteja menos interessada em brinquedos, mas no seu material, ou em dar cambalhotas, e fazê-los moverem se. Ao ler para uma criança o seu livro favorito, preste atenção ao que ela está mais interessada em fazer. Concentra-se em olhar para as ilustrações? Ouvir a cadência das palavras e rimas quando você lê em voz alta? Tocar os diferentes objetos desenhados na página? Ou será que ela praticamente pula fora do seu colo e começa a agir de acordo com as ações na história enquanto você as descreve?

A maioria das crianças tem um número de diferentes estilos de inteligências e a aprendizagem bilíngue pode ser envolvida em uma variedade de maneiras. Se você não vê uma forte preferência por determinadas atividades, isso significa que a criança tenha mais de uma inteligência primária ou que ela ainda não tenha desenvolvido uma forte predileção. Na maioria dos casos, você pode começar a ver uma especial preferência por estilos em torno de dois anos. Até então a criança provavelmente irá responder melhor a determinados tipos de atividades e experiências. Respeitar as inteligências individuais e estilos de aprendizagem significa oferecer a criança uma variedade de maneiras de aprender. Quase qualquer coisa pode ser ensinada de uma maneira que funciona bem para uma determinada inteligência. Quando você identificar e responder ao estilo de inteligência e aprendizagem da criança bilíngue, você irá ajudá-la na abordagem do mundo em seus próprios termos. Concentrando a sua inteligência para dominar novas habilidades de forma menos frustrante e poder ajudá-la a desenvolver uma vida de amor à aprendizagem.


Um dos benefícios da teoria das múltiplas inteligências é que ela oferece muitas opções. Se uma criança bilíngue não está respondendo a uma determinada atividade, há muitas outras abordagens para tentar. Depois de ter uma noção do estilo de aprendizagem da criança, olhe o ambiente a seu redor para ver como este se encaixa às necessidades e modifique-o para obter um melhor aproveitamento. Se você achar que a criança gosta de música, certifique-se que haja instrumentos musicais disponíveis. Tente reproduzir música durante todo o tempo e usando-as como uma forma de incentivar a memorização de diferentes atividades (uma canção especial de boas vindas, para almoçar, para repartir, para guardar os brinquedos, etc.). Se a criança parece ter uma poderosa inteligência corporal ou sinestésica lembre-se de criar atividades que envolvam exercícios físicos como saltos, corridas, enquanto você dá comandos de direcionamento em inglês esperando pela criança na chegada, tornando momentos difíceis mais fáceis. Embora a compreensão do estilo de inteligência do aluno ajude o professor a lidar com seus pontos fortes, também é importante dar-lhe oportunidades para reforçar as suas fraquezas.

Segue uma definição para cada tipo de inteligência e os tipos de atividades e experiências com crianças que tendem a se sobressair em determinadas áreas.

Linguística: Sensibilidade ao significado e à ordem das palavras. Estas crianças utilizam um vocabulário expandido e, geralmente, gostam de contar anedotas e histórias, adivinhações, trocadilhos, ler, escrever e fazer jogos de palavras. Uma boa maneira de iniciar uma linguagem orientada em inglês seria a de incentivar a criança a gravar ou descrever exatamente o que ela está fazendo ou observando durante uma aula de Ciências. Para ajudá-la a compreender um conceito matemático, como a contagem, é pedir-lhe para criar uma história em que um personagem tem de contar muitos itens. Providencie papel, lápis, canetas de diferentes tipos, livros de histórias e um gravador.


Lógica-matemática: A capacidade de manipular cadeias de raciocínio e de reconhecer padrões e ordem. Estes alunos se beneficiam de trabalhos com números, querem saber como as coisas funcionam, fazem perguntas, colecionam itens e mantém um registro das suas coleções. Para desenvolver o interesse de um aluno lógico-matemático por um livro em Inglês, peça-lhe para ordenar e classificar os diferentes itens ou animais que ele vê no livro. Ou para comparar os diferentes sons e tons em um instrumento que pode ser uma boa maneira de ajudá-lo a explorar conceitos musicais. Inclua sempre quebra-cabeças, jogos de encaixe, blocos e pequenas peças manipulativas.


Corporal-sinestésica: A habilidade de usar o corpo para manipular objetos com facilidade. A criança aprende a desfrutar de esportes e ser fisicamente ativa. Elas tendem a usar linguagem corporal, dançar, atuar, ou participar em mímica. Crianças com essa inteligência tendem a aprender bem através dramatizações, circulação em jogos, cenas e situações. Um jogo de amarelinha vai ajudar o aluno bilíngue a compreender conceitos de matemática mais facilmente do que contando itens. Uma boa experiência científica para uma criança corporal-sinestésica é comparar o quanto ela pode brincar com vários tipos de objetos. Vestir roupas e adereços para uma peça, arremessar sacos de feijão ou equipamentos esportivos, correr ao redor de obstáculos, etc. ouvindo instruções em Inglês.


Musical: Sensibilidade ao tom, melodia, ritmo e som. Essas crianças gostam de ouvir e tocar música, cantar, assobiar, mover-se com o ritmo, bem como criar e reproduzir músicas. Ouvir músicas em cds, dvds com áudio em Inglês pode ser a melhor forma de envolver a criança nas atividades. Para ensinar conceitos matemáticos utilize as batidas de palmas ou de um tambor para contagem ou crie padrões musicais de ritmo. Forneça-a inúmeros instrumentos para explorar, incluindo utensílios de cozinha, recorreco, cascas de coco, um gravador e uma variedade de músicas e sons para ela ouvir.


Espacial: A capacidade de perceber o mundo de forma rigorosa e de recriar ou transformar aspectos desse mundo. Estes alunos gostam de pintar, desenhar e construir com blocos, observar mapas, fazer quebra-cabeças e labirintos. Mostre fotos e imagens que irão ajudá-los a compreender melhor as novas informações verbais. Para envolvê-los em experiências científicas, peça-os para tirar as suas próprias conclusões em observações e registros. Forneça livros com fotos brilhantes, mapas, gráficos, bem como uma variedade de materiais de arte para eles estudarem.


Interpessoal: A habilidade em compreender pessoas e relacionamentos. Estas crianças fazem e mantem amizades muito facilmente, são populares e são excelentes jogadores em equipe.

Tentar sempre que possível, envolver a criança em jogos com grupos e debates. Esta irá provavelmente divertir-se com peças de teatro em Inglês usando fantasias, acessórios, marionetes, bonecos, e pequenas figuras.

Intrapessoal: A capacidade de utilização de uma vida emocional como meio para a compreensão de si mesmo e dos outros. Criança com este tipo de inteligência controla os seus próprios sentimentos e, muitas vezes, limita-se a observar e ouvir. Elas rendem melhor quando trabalham sozinhas. Incentive a criança a pensar em como fazê-la sentir novas experiências e ofereça-lhe muitas oportunidades para explorar tópicos sobre si própria. Para envolver um aluno em um projeto intrapessoal, peça-lhe para descrever suas experiências e emoções. Uma câmera, um gravador, bloco de desenho em branco, revistas que podem ajudá-lo a pensar e anotar suas observações.

Ao utilizar as técnicas de múltiplas inteligências dentro ou fora de uma sala de aula bilíngue, o professor ou os pais estarão desenvolvendo e habilitando a criança a explorar suas competências e habilidades, melhorarando suas deficiências de uma forma envolvente e sutil de aprendizagem com excelentes resultados acadêmicos e sócio-afetivos.


Texto: Paula Lyra – 19/05/2010

Bilinguismo na Primeira Infância



Não existe consenso quanto à idade ideal para iniciar a aprendizagem de uma língua estrangeira. Krashen (1982) estabelece uma distinção clara entre aprendizagem e aquisição. A aprendizagem refere-se ao estudo formal - receber e acumular informações e transformá-las em conhecimento por meio de esforço intelectual e de capacidade de raciocínio lógico. Em contrapartida, para ele, aquisição é desenvolver habilidades funcionais através de assimilação natural, intuitiva e inconsciente nas situações reais e concretas de ambientes de interação humana. Portanto, no desenvolvimento da proficiência em línguas, o que deve ocorrer é a aquisição. Ele defende a maior importância da aquisição sobre a aprendizagem, referindo-se a adolescentes e adultos. Considerando que a aquisição está mais intimamente ligada aos processos cognitivos do ser humano na infância, deduz-se que a aquisição é ainda mais preponderante no caso do aprendizado de crianças. Portanto, a proficiência lingüística pouco depende do conhecimento armazenado, mas, sim, da habilidade assimilada na prática, construída através de experiências concretas. Novamente, fica com mais clareza explicada a superioridade das crianças no aprendizado de línguas. Não são apenas fatores de ordem biológica que influenciam no aprendizado de uma língua estrangeira. Fatores de ordem psicológica e afetiva podem causar impacto direto na capacidade de aprendizagem. A criança, por natureza, tem um alto grau de curiosidade pelo desconhecido e forte sintonia com tudo no ambiente que a rodeia.


Portanto, ao ministrar aulas de língua estrangeira para crianças, deve-se proporcionar um ambiente tal que a aquisição ocorra de maneira natural. É como brincar com um bebê. Ele passa a prestar atenção aos sons quando começa a balbuciar ba, ba, da, da... a partir daí está treinando os fonemas básicos da língua. Assim como o primeiro contato com a LM (Língua Mãe) se dá por meio da mãe, o primeiro contato com a LE (Língua Estrangeira), na maioria das vezes, se dá por meio do/a professor/a. Ao que parece ambos têm um poder decisivo para o futuro da língua, que pode resultar numa comunicação apropriada que transmita senso de lógica e causalidade ou deixar tudo no nível obtuso do incompreensível.

Da mesma forma como aprende a primeira língua, a criança tem aptidão para desenvolver outras línguas. Após o aprendizado da escrita e da leitura, a assimilação de um segundo idioma se dá de forma mais facilitada e tranqüila. É claro que quanto mais cedo, melhor. Caso contrário, o aprendiz usará com mais relevo a estrutura da primeira língua, ao invés de raciocinar no segundo idioma e, com isto, irá se utilizar mais longamente da pura e simples tradução, se arrastando por mais tempo até conquistar o desejável estágio da fluência.

Levando em conta os fatores biológicos, pode-se também dizer que, numa criança os dois hemisférios do cérebro (o lado esquerdo ligado ao raciocínio lógico e analítico e o lado direito enquanto responsável pela parte criativa, artística e pelas emoções) estão mais interligados do que no cérebro de um adulto. Por isto, a aprendizagem é mais fácil no período anterior a lateralização do cérebro.


Ao interagir com o meio, a criança aprende a falar, ou seja, a aquisição da fala e a descoberta do mundo são dois processos que ocorrem ao mesmo tempo e, como tal, as estruturas neurais do cérebro que correspondem aos conceitos são adquiridos e associados às formas linguístico-comunicativas. Sendo assim, as crianças desenvolvem-se cognitivamente a partir de experiências concretas e da percepção direta, ao contatar com o meio que a circunda.

Tendo em vista todos estes fatores, pode-se dizer que a idade considerada ideal para o início do ensino de línguas estrangeiras é antes dos oito anos de idade.


Para Strecht-Ribeiro (1988:22), “o contato com uma outra língua não só é compatível com o domínio da língua materna, como ainda a favorece”. De fato, o bilinguismo ajuda as crianças a perceberem melhor a sua língua materna, uma vez que, assim, as crianças têm a oportunidade de comparar uma língua e a outra. Este processo não implica uma memorização de conhecimentos, mas, pelo contrário, implica uma automatização dos mesmos, como em um processo natural de aquisição.


O ensino precoce de línguas estrangeiras tem um papel preponderante para a construção de cidadãos autónomos, críticos e participantes, capazes de atuar com competência, confiança e responsabilidade na sociedade em que vivem.


A aprendizagem de línguas estrangeiras promove um desenvolvimento de uma atitude global, servindo o estudo das língua e cultura estrangeiras como meios de desenvolvimento da competência intercultural do indivíduo. Desta forma, esta aprendizagem precoce permite igualmente expandir os horizontes quando no contato com línguas e culturas diferentes, desenvolvendo uma consciência do Outro, no sentido de uma sensibilização à diversidade linguística e cultural, o que, por sua vez, fomentará uma aprendizagem futura, preparando o terreno para um ensino plurilingue a um nível mais avançado e promovendo confiança no sucesso da aprendizagem de línguas estrangeiras ao longo das vidas das crianças. Em outras palavras, a introdução precoce de uma língua estrangeira num ensino considerado precoce ajuda as crianças a desenvolver a tolerância para com outros povos que lhes são diferentes e permitir a compreensão entre indivíduos.


Texto de Isabela Sandoval adaptado por Paula Lyra – Maio de 2010

Bilinguismo




Estimular Crianças Bilingues
Escrito por Pablo Zevallos

Se em sua casa seu marido e você falam idiomas diferentes, não existem razões para que seu filho não possa se tornar uma criança bilingue. Um segundo idioma se aprende de forma igual ao que se aprende o primeiro.

Estimular crianças bilingues

A princípio, o bebê, ainda dentro da barriga da mãe, começará a ouvir sua linguagem e a familiarizar-se com ela. Se o pai lhe fala um segundo idioma, o bebê também se acostumará a escutá-lo. Os bebês primeiro ouvem para que depois possam expressar o assimilado, e assim aprender a utilizá-lo para adquirir comunicação fluida. O fundamental em todo o processo é ensiná-los com paciência e com muito carinho para que as crianças cresçam com uma reação positiva aos idiomas e que desfrutem ambos.

Se existe o interesse da família que a criança seja biligue, a casa não é o único lugar para aprender um segundo idioma. Hoje em dia, existem muitas alternativas e espaços para que a criança possa aperfeiçoar o aprendido em casa. Na escola, na rua, na biblioteca, ou em outros lugares. Escutar, falar, ler, e escrever um segundo idioma é parte do processo para ser bilingue.

Como ajudar ao filho a ser uma criança bilingue

Ajudar ao seu filho para que escute ou fale um segundo idioma pode ser iniciado e praticado em casa, através das conversações diárias, ou através de filmes, ou da música. No entanto, existem caminhos para ajudá-lo no processo de ler e escrever:

1- Os pais podem conseguir materiais no segundo idioma como livros, revistas e jogos didáticos;

2- Os pais podem escutar seus filhos lerem no segundo idioma, sem importar que eles não entendam o que a criança está lendo. O processo em si mesmo lhes dá a oportunidade de comprometer-se na prática da leitura que promove e dá o suporte necessário para adquirir o segundo idioma.
Além disso tudo, o que os pais podem fazer para que a criança pratique um segundo idioma, é conscientizá-la do privilégio e das vantagens que tem a criança ao dominar dois idiomas.

3- A terceira proposta é matricular em escolas e colégios bilingues, o que dará mais segurança quanto a expressão do idioma. Nas escolas bilingues, a criança compartilhará seus conhecimentos com outras crianças e se sentirá mais acolhido, melhorando ainda mais a prática no idioma.

Para ser bilingue

Existem diferentes caminhos para que uma criança seja bilingue. Investigações mostram que é preferível desenvolver bilinguismo em crianças menores porque é uma forma natural para aprender dois idiomas ao mesmo tempo. Aprender um segundo idioma inclui os pais, fatores econômicos, a comunidade, experiências, ambiente no colégio e a cultura, que podem fornecer as ferramentas necessárias para chegar ao bilinguismo com êxito.

Fonte consultada: Guía de Bilingüismo para padres y profesores, de Colin Baker. Colin Baker é autor de vários livros sobre bilinguismo e educação bilingue. Ele é professor de Educação da Universidade de Gales.

Bilinguismo

Crianças Bilingues

Teresa Paula Marques - Psicóloga Clínica, www.teresapaulamarques.com

Data: Fevereiro, 2008

"As línguas não existem. Existem pessoas que falam línguas".
Louis-Jean Calvet (Linguísta)

O ser humano é, por excelência, um animal social. Logo após o nascimento o bebé começa a tentar comunicar com a mãe com os instrumentos que possui. É hoje sabido, por exemplo, que o choro possui características distintas, quer se trate de uma aflição, fome, aborrecimento, desconforto... distinções que a mãe consegue interpretar de forma a conseguir ir ao encontro das suas necessidades.

Por volta dos três meses, o bebé produz sons que nada têm em comum com a linguagem do adulto. Estes vocábulos têm como objectivo continuar a favorecer a interacção mãe-bebé e fortalecer os laços afectivos que os unem.

Entre os seis e os oito meses, as inflexões e ritmos passam a ter uma maior riqueza. Ao ano, o bebé pronuncia aquilo que se pode considerar o esboço de algumas palavras. Aos completar dezoito meses, estará habilitado a dizer palavrinhas simples ("olá", "dá", "sim", "não") e a compreender ordens.

Contudo, há que ter bem presente que cabe aos pais estimular todo este processo, pois só assim os mais pequeninos se sentirão motivados para aprender. Em regra, aos vinte e quatro meses dá-se uma autêntica explosão de vocabulário. As crianças tornam-se autênticas tagarelas. Gostam de falar e mesmo que não saibam ainda designar os objectos através dos seus nomes correctos, encontram formas alternativas de se fazerem entender.

Aprender duas línguas

Pode acontecer que sendo oriundo de Portugal, a criança viva num outro país ou então os pais sejam de países diferentes. Nestes casos, a criança tenderá a ser bilingue, ou seja, desenvolverá a habilidade de comunicar em duas línguas.

Nas crianças bilingues, a aquisição da linguagem faz-se, em regra, um pouco mais tardiamente, por volta dos três ou três anos e meio. Haverá então a tendência para articular perfeitamente as duas línguas, como também conseguirão compreender qual é que vai de encontro à pessoa que a usa ou seja, pode falar português com a mãe e de seguida responder em espanhol ao pai.

Para além disso, é comum que o façam sem que um sotaque esteja a "contaminar" o outro. Se estivermos atentos, conseguiremos perceber que o próprio raciocínio se efectua na outra língua, isto é, não existe qualquer processo de tradução. É que a aprendizagem precoce de uma segunda língua está neurologicamente bastante facilitada. As estruturas que facilitam a capacidade do bilinguismo estão, nas crianças, instaladas numa parte do cérebro diferente dos adultos.

Isso explica que seja bastante mais fácil aprender uma nova língua no ensino pré-escolar e daí que a inclusão do inglês nos curriculla do ensino português seja uma medida a incentivar. Se o início da aprendizagem for para além dos 10 anos, pode nunca se conseguir atingir um bom nível de aprendizagem.

De certo modo, ainda que não fosse apoiado por conhecimentos científicos, este facto já tinha sido detectado. Não é por acaso que o povo costuma dizer que "burro velho não aprende línguas". Quando o adulto aprende uma segunda língua, constrói novas áreas no cérebro para armazenar estas informações, enquanto que a criança as incorpora nas estruturas cerebrais já existentes.

Bilinguismo e Surdez

O bilinguismo precoce, no caso da surdez, é de vital importância pois permite ao surdo desenvolver-se cognitivamente (memória, capacidade de observação e de abstracção), adquirir conhecimentos acerca do mundo que a rodeia e aculturar-se quer ao mundo dos surdos, quer ao mundo dos ouvintes.

Assim, as crianças surdas, independentemente do seu grau de surdez, deverão crescer bilingues. A linguagem gestual será a primeira a ser adquirida. A sua riqueza incontestável, permite que logo se estabeleça uma comunicação entre os pais e o bebé surdo, o que fortalece os laços afectivos. Posteriormente a linguagem oral (tanto escrita como falada) será adquirida. Mesmo que o surdo nunca consiga falar correctamente, é importante que se esforce por comunicar verbalmente, auxiliado pelo gesto.


Algumas dicas para estimular o bilinguismo

- Fale com o bebé na sua língua. A princípio ele não irá entender, mas familiarizar-se-á com os sons...
- Ensine-lhe rimas e canções de embalar.
- Faça a criança sentir orgulho no facto de saber duas línguas.
- Não se ria quando ela se enganar ao escrever, ou pronunciar uma palavra.
- Seja consistente. Seja qual for o padrão de uso do português e da outra língua na sua casa, não altere esse padrão.
- Encare o bilinguismo com naturalidade.
- Não force, não cobre e não exija. Fale com o seu filho naturalmente. O resto virá por si.

Falsos Mitos

- Aprender duas línguas confunde as crianças e diminui-lhes a inteligência.
- Deve-se aprender primeiro uma língua e depois outra.
- Ser bilingue provoca problemas de identidade.
- Quem fala duas línguas, pensa só em uma e traduz mentalmente a outra.

Bilinguismo


Vantagens do Bilinguismo
Escrito por Vilma Medina
De: guiainfantil.com

Alguns pais consideram que a aprendizagem de um segundo idioma pode representar um freio e inclusive um atraso no desenvolvimento linguístico da criança, ainda que não existam provas concretas a respeito. Uma vez ou outra, a criança poderá confundir alguma palavra entre os dois idiomas, mas esses casos são normais a princípio, principalmente quando os idiomas apresentam palavras semelhantes. No entanto, essas pequenas falhas podem desaparecer com o tempo.

O bilinguismo ajuda a criança aprender outros idiomas

Segundo alguns investigadores, as crianças expostas desde muito cedo a duas línguas, crescem como se tivessem dois seres monolíngues alojados dentro do seu cérebro. Quando dois idiomas estão bem equilibrados, as crianças bilingues têm vantagem de pensamento sobre crianças monolingues, o que quer dizer que o bilinguismo tem efeitos positivos na inteligência e em outros aspectos da vida da criança. E que isso não representa nenhum tipo de contaminação linguistica nem atraso na aprendizagem. Dizem que é muito melhor a aprendizagem precoce, ou seja, falar com as crianças ambos idiomas desde o seu nascimento, pois permite o domínio completo da língua, ao contrário do que sucede se se ensina a segunda língua a partir dos 3 anos de idade.

Outros afirmam que são muitas as vantagens na hora de educar uma criança para que seja bilingue. Que tudo dependerá da forma que se introduza esse idioma. Não se pode obrigar que a criança o fale. O importante, a princípio, é que a criança ouça sempre e se familiarize com ele pouco a pouco, sem pressas nem obrigações.

Outros especialistas, sustentam que as crianças expostas a vários idiomas são mais criativas e desenvolvem melhor as habilidades de resolução de problemas. E além disso, falar um segundo idioma, ainda que seja só durante os primeiros anos de vida da criança, a ajudará a programar os circuitos cerebrais para que lhe seja mais fácil aprender novos idiomas no futuro.

Por outro lado, existem alguns científicos que contiuam defendendo o atraso do treinamento linguístico e recomendam que a criança aprenda uma segunda língua somente qundo tenham suficiente conhecimento da maternal.

Vantagens de ser uma criança bilingue

1- Comunicação. A capacidade de comunicação com os pais, familiares, e com mais pessoas quando viajam ou convivem com pessoas estrangeiras. Somando-se a isso, as crianças bilingues têm duas vezes mais capacidade de ler e escrever, e seu conhecimento é mais amplo pelo seu maior acesso à informação global.

2- Cultural. O acesso a duas culturas diferentes. À literatura, às histórias, a diferentes comportamentos, tradições, conversações, meios de comunicação, etc.

3- Conhecimento. Quanto mais conhecimento, mais desenvolvido será o raciocínio de uma criança bilingue. Através dele, podem ser mais criativos, mais flexíveis, e adquirir uma mente mais aberta ao mundo e aos demais.

4- Oportunidade de trabalho. As portas do mercado de trabalho se abrirão e oferecerão mais oportunidades às pessoas bilingues.